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Com tanta mudança e tantas coisas novas pra pensar e fazer, a primeira coisa que perdeu meu tempo foi o site. Hora de retomar os posts aqui, mas parece que fica faltando uma explicação, uma vírgula, um título novo pra essa “nova temporada“, em que o fato de estar morando do outro lado do Atlântico tende a influenciar o que quer que eu venha a fazer. A começar pelas estações, passando pelo clima, pela oferta de fios e de inspirações.

Quem me acompanha nas minhas redes sociais (especialmente no instagram e no facebook), já sabe que eu mudei de Sorocaba, SP para uma cidadezinha no interior da Catalunha chamada Lleida (LL por aqui tem som de LH). Eu já era meio forasteira em Sorocaba, porque nasci e cresci na Serra Gaúcha, numa joia de cidade chamada Caxias do Sul. Em algum momento o amor que eu recebi dos amigos que a igreja e o crochê me deram, transformaram aquela cidade distante em lar, e quando isso aconteceu, a vida me trouxe pra cá. Acho que Deus tá ligado que eu curto um bom Desafio. Hahaha.

Esse é o Rio Segre, que corta a cidade onde eu vivo e nos dá um gramadin dilicinha pra crochetar nas tardes de primavera, verão e outono <3

Nesse meio tempo, outras mudanças aconteceram. Os desafios mensais, que eu organizava em um grupo de facebook, acabaram tomando proporções que não eram esperadas (mas que com certeza foram bem recebidas), e me foi pedido pela criadora do grupo que retirasse estes desafios de lá, juntamente com as lives que eu fazia todas as quintas feiras, às 19:30.

Confesso que amo desafios, mas mudanças me assustam. Considerei, por um tempo, parar com tudo, porque o motivo de fazê-los (desafios e lives) dentro de um grupo fechado, me dava a segurança de nadar numa piscina de amor e de gente querida e conhecida. Era por elas e pra elas que eu fazia tudo, com todo o amor do mundo. Me lançar na internet sem barreiras (nem bóinha de braço) me deu a sensação de cair num oceano gelado, cheio de coisas desconhecidas entre meus pés e o chão seguro. Apesar do susto e de quase um mês batendo perna, acho que descobri que eu sei nadar. Yey.

Primeira live feita na casa nova, ainda com cabelo duro de cal (ainda não tinha descoberto com “dibrar” essa água ramelenta daqui com vinagre)

As lives de quinta agora acontecem lá na minha página do Facebook (eventualmente entra lá uma tia, um vizinho, um colega distante, coisas que não me aconteciam no grupo, mas a gente vai lidando com isso hahaha) e os desafios estão num grupo novinho em folha, chamado Desafio Crochet Land, pra todo mundo poder participar ativamente. Eu tentei fazer os desafios sem criar grupo novo, mas aí a brincadeira estava se resumindo ao que eu dissesse e postasse, e a gente estava perdendo a contribuição de todo mundo – a parte mais valiosa.

Quando tudo acontece ao mesmo tempo, dá uma sensação de que o chão sumiu e que não vai ter jeito, é queda livre de cara no chão. E quando a gente perde todas as referências ao mesmo tempo, eu tenho convicção e é isso mesmo que acontece. Mas eu não contava com a sorte infinita de ter gente que foi mais firme que casa, país, língua e grupo juntos, e que me deu amor, segurança e todo o conforto que eu precisava nesse momento.

Com vocês eu aprendi que o que realmente importa não é feito de tijolo, e não cabe numa mala. Não tem valor financeiro, e não se perde, nem quando a vida te leva milhares de quilômetros pra longe. Com vocês eu soube que o que realmente importa vai estar comigo onde quer que eu esteja, e que eu posso tomar o tempo que for pra me recuperar, que no final estaremos crochetando juntas. Obrigada Deus pelas pessoas lindas que o Senhor fez, e pela internet, que permite que a gente siga andando juntas. Mesmo longe, sempre perto. <3

Uma das lojas favoritas que visitei aqui! Tô doida pra escrever esse post, “Rota Craft Barcelona”. Mas falta uma meia dúzia de lojas pra visitar ainda <3

Eu não sei com precisão o que vai acontecer daqui pra frente. Mas eu sei que eu quero estar aqui, devolvendo uma parte desse amor tão grande que eu recebo. Compartilhando as experiências de estar em uma cultura diferente, descobrindo coisas novas, divindindo o que de fios e cores houver pelo caminho. Minha vida é uma viagem linda e louca, e eu te convido bater braço comigo nesse oceano azulzinho. Já já a gente constrói um barquinho e aprende a remar também. Bora?

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