Pensa num presente perfeito pra bebês? Pensa numa venda maravilhosa pra mamães? Vai lá vender e ficar ryca!
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Você quer a receita da manta de apego, sem o conteúdo dela? Rola pra baixo, que lá pela metade do post tem. Quer saber o que faz dessa receita tão especial? Puxa uma cadeira, eu te sirvo um café, e te conto os três motivos pelo qual ela surgiu.

Chuva de foto porque o valor agregado dela é sensacional. Com esse embasamento todo, ela há de se vender sozinha! #receba

Primeiramente: cadê a sustança?

Sempre pensei que as mantas de apego para bebês eram demasiado leves. Geralmente feitas em acrílico ou algum outro material completamente artificial, e enfeitadas por um pequeno amigurumi em cima, me pareciam ser feitas mais para agradar as mães do que para acalentar os bebês.

Quando meu pequeno nasceu, descobri algumas coisas sobre bebês, em conversas com médicos, com outras mães, através da leitura de livros. A mais divertida delas: os bebês, quando nascem, se sentem muito “soltos”, acostumados que estavam a ficar apertadinhos e confortáveis nas barrigas das suas mães. Muitas vezes, quando choram sem motivo aparente, é porque se sentem inseguros nesse novo espaço ilimitado, onde seus pequenos corpinhos não tem onde se apoiar.

Uma tática que é quase mágica (faça isso depois de garantir os 3F: Fome, Fralda e Frio – que pode ser calor): enrole o bebê em uma mantinha, bem apertadinho, vire ele de lado e faça “shhhhh” (um som que eclipse os outros sons e simule a barriga barulhenta da mamái). Pimba. Nunca vi um neném que não tombasse de sono nessa.

Segundo: é pelo sentido que se aprende a ser gente

Com a minha pedagoga favorita (que eu tenho o privilégio de chamar de irmã) aprendi um zilhão e ainda aprendo, todos os dias. Desde cedinho, ela me passava diversas atividades para fazer com bebês, que incluíam buscar materiais com texturas diferentes, para estimular o tato. Costurar guizos nas meinhas. Deixar pézinhos livres em contextos diferentes (grama, calçada, tapete felpudo – aqui lembrei da Camila, a pequenina filha mais nova de pézinhos curiosos do Casal Crochê <3). Eu poderia falar até amanhã sobre o assunto (inclusive sobre a importância do objeto de transição, geralmente um bichinho ou uma mantinha), mas você percebe a importância do estímulo dos sentidos?

E por fim: sentidos, eles de novo

Também fiz um curso de boneca Waldorf na EduK, com a Nina Veiga. Lá aprendi que o que a pedagogia Waldorf procura utilizar em seus brinquedos são os materiais naturais, como lã ou estopa (vegana), para dar enchimento; algodão para os tecidos que recobrem as bonecas; madeira, para outros tipos de brinquedos. O motivo? A criança está descobrindo o mundo através dos seus sentidos. Que aprendizado traz o plástico? Que aprendizado o toque de uma manta sem peso traz? Pois é.

Com tudo isso na cabeça, quis aproveitar o desafio de Color Pooling e uma caixa linda de linhas mescladas antipiling (que não faz bolinha) que a Coats Corrente quis me mandar (lindos) pra testar a técnica (te convido a curtir esses lindos), e colocar esse plano em prática. O que eu queria: uma manta que tivesse uma textura gostosa e estimulante, e que usasse uma quantidade suficiente de novelos para que tivesse um certo peso, ainda que mínimo. Como se isso fosse pouco, ela ainda tinha que dar pooling.

Como aqui estamos, é sinal de que o desenvolvimento dessa peça foi um sucesso! Estou super feliz com o resultado, e espero que vocês possam fazer muitas mantinhas assim para vários pequenos humanos se sentirem bem vindos. <3
Vamos para a receita? Va-mos!

Até meu pequeno, que nem é mais tão pequeno assim, ficou molinho debaixo dela. Já é sua, pequenino. <3

Essa receita é gratuita e fruto de muito tempo e pesquisa investidos. Você é livre para executar, compartilhar (através do link para esse post) e vender peças feitas com ela. Te quero ryca.
Mas se você o fizer, peço que me cite como criadora da receita combinadinho?

Manta Amora – Manta de apego sensorial para bebês em pooling

Agulha: 5mm (usei Clover Soft)
Linha: Todo Dia Colors | Coats (variações: a linha Hobby da Círculo é similar, mas um tantinho mais fina, e não dá pooling. Talvez com uma agulha 4.5)
Tamanho (aprox): 80cm x 56cm
Tipo de crochê: carreiras (vai e volta)
Nível: fácil, se em cor lisa. Médio, se for feito em pooling. Recomendo ler o post com os fundamentos do pooling antes.

Pontos usados:
corr: ponto corrente
pa: ponto alto
ponto pipoca: 5 pontos altos unidos pelo primeiro e pelo último. Maria Rê explica nesse vídeo (é o primeiro ponto).

Passo um: Vamos às cores.
A linha escolhida para esse projeto foi a cor 70308 da Todo Dia Colors. Ela tem as cores marrom, verde, bege e gelo.

A cor que você escolhe pra começar a sequência MUDA TODO O DESENHO. Juro juradinho. Melhor ainda: mostrarei mostradinho. Se liga.

Da esquerda pra direita: começando com bege, com marrom, com gelo e com verde. Não gostei dos dois primeiros desenhos, mas gostei dos dois últimos.

Escolhi começar com o gelo, porque meu novelo começava em marrom (e a gente precisa de um mar de correntinhas pra começar, lembra? inclusive, peguei um resto de marrom de outro novelo e aumentei a correntinha).

Passo dois: como vai funcionar
Essa linha é o que a gente chama de linha mesclada de transição longa, ou seja: cada cor tem vários metros antes de trocar pra outra. Enquanto na Duna que eu mostrei no post principal sobre pooling as trocas acontecem a cada 30cm, em média, nessa linha as trocas podem levar quase cinco metros pra acontecer.

Pra que a troca seja visível, precisamos consumir bastante linha (ou fazer uma peça imeeensa). Escolhi a primeira opção, porque favorecia meu projeto de textura.

Passo três: o ponto
Para fins de pooling, vamos considerar “um ponto” o que na verdade é um conjunto de pontos. Ou seja, (2 pa, 1 ponto pipoca, 1 pa) = 1 ponto. E tem que fazer dar. Se chegar ao final de uma sequência e estiver sobrando um ponto alto, volta na última pipoca e coloca 1 pa a mais. Se estiver faltando, volta na última pipoca e tira um ponto alto dela.
Ah, e pra correntinha inicial, escolhi pular uma correntinha entre as pipocas, como no gráfico abaixo. Mas só na inicial, pra não ficar repuxado o início! (Então cuidado pra correntinha não ser muito frouxa).

Cada ocorrência dessa quantidade de pontos (2pa, 1pipoca, 1pa) a gente considera um ponto, no nosso gráfico. Combinadinho?

Passo quatro: acabou o novelo: como emendar?
Você vai acabar na cor anterior à cor que realmente acabou no novelo. Faremos isso porque a cor final geralmente tem um tantinho a menos, não termina a sequência. Você teria que emendar o próximo novelo em algum ponto da sequência que você não tem como medir. Então acabando a sequência anterior, você corta ela deixando um tantinho a mais da cor nova, pra emendar.

Passo cinco: vamos à manta Amora <3
Você precisará de uma longa correntinha pra começar. Pra garantir, usei um resto de marrom de outro novelo pra aumentar o marrom com que começava meu fio. Quando a primeira alcinha sair, você vai fazer mais duas, e elas três vão contar como o primeiro ponto alto da sequência: (2 pa, 1 ponto pipoca, 1 pa).

Fiz um gráfico em miniatura de como os pontos vão se comportar. Basicamente é isso, mas na minha manta contei 17 pontos (e um ponto na verdade é uma sequência, lembra? Como a gente combinou ali em cima). No primeiro ponto de todos eu uso correntinha-pipoca-ponto alto como ponto, mas é só nesse! Os outros ficam normais. (Obrigada Dani Vida pela dica dos comentários! Gráfico atualizado)

PS: GUARDA OS RESTINHOS DE FIO!
Vai ter receita surpresa pra aproveitar eles 🙂
E usa #MantaAmora pra eu ver depois e repostar! :*

Uma opção diferente (dai créditos a quem é de créditos!)
Nesse vídeo aqui, que a Coats me mandou inbox em março, quando respondi que trabalharíamos pooling nesse mês, Cristina Vasconcellos, autora da multicolorida página Colorido Eclético, faz o pooling (que ela chama de agrupamento) em um programa de TV de fevereiro de 2018. A técnica usada por ela é a mesma desse outro post aqui, da Sarah Zimmerman, do site Repeat Crafter Me, postada em janeiro de 2018. Também encontrei essa mesma técnica neste post da Marly Bird, de abril de 2017. Basicamente, consiste em fazer três pontos altos no mesmo ponto (tipo um leque) pra consumir fio mais fácil. Ficam aí as dicas pra quem quer fazer troca longa de um modo diferente :*