Pra quem não pôde ir com a gente, mas curtiu o passeio acompanhando nossos stories, esse post vai trazer tudinho o que passamos por lá!
Leia em 8 min

Todos os anos, na cidade de Colônia, na Alemanha, acontece a H+H, uma feira que reúne empresas do setor artesanal de todo o mundo. Sendo a maior do segmento, ela é onde muitas empresas fazem lançamentos e expõem seus produtos, muitas vezes com o intuito de importar ou exportar para outros países, através da parceria entre empresas. Fiz uma live semana passada onde falei tudo sobre a feira mas, como nem todo mundo é de vídeo, tô colocando fotos, dicas e informações aqui nesse post.

Uvinhas de pompom, no estande da Anchor

Lojistas e distribuidores também tem a oportunidade de conhecer e conversar com marcas do mundo inteiro num único lugar, ao longo de intensos três dias, em que muitos negócios acontecem. Criadoras malucas desvairadas (oi!) tem a oportunidade de ver as amigas, fazer contatos e gastar euros (eike país caro!). Vitória.

Uma decoração imensa, de pompons e tassels, também no estande da Anchor

Para mim, que fui como criadora de conteúdo independente, (não me julga, que eu sei que você faria o mesmo hahaha) a feira teria valido o passeio, nem que fosse só pela oportunidade de conhecer de maneira imediata (toquei em tu-do) materiais diversos aqui da Europa e do mundo, sem precisar comprá-los. Saí da feira com muito mais clareza de com que materiais pretendo trabalhar e trazer para o blog no futuro, e que materiais e marcas não valem meu esforço.

Schachenmayr Catânia, uma Charme mais cara, com menos metros, mas com mais brilho e uma cartela de cores incrível + amigurumis da Berlinense Prenzlzwerk

Por ser focada em B2B (business to business, uma sigla pra dizer que é de empresa pra empresa, e não com vistas para o consumidor final), pode-se dizer que a H+H não é uma feira que proporcione atrativos para pessoas físicas (a não ser que, como eu, você esteja contentíssima só por estar no coração do fervo, tocando em tudo). Quase sempre, ao se aproximar de cada estande, a grande maioria vai querer saber quem é sua empresa, e a que você veio. Não me fiz de rogada, e troquei cartão com meia dúzia de empresas que se mostraram interessadas no trabalho que eu faço com o Crochet Land. Obrigada, escola de idiomas querida, pela graça das negociações alcançada (não é publi! Quando for, eu aviso, com todo o prazer).

Dia 1 – A chegada atenazada

Antes mesmo de chegar lá, eu já estava fazendo amigos (en español, gracias, profesora Paloma!). Peguei um vôo no final da tarde do dia anterior (azamigas todas foram na manhã desse mesmo dia e passearam juntas <3) e já no avião conheci gente fantástica, de duas empresas que eu admiro pra caramba: Angel, da Gütermann e Sônia, Laia e Quim, da Kátia. Tive a chance de conversar com eles tranquilamente sobre meu trabalho criativo (por providência divina, eu estava justamente confeccionando uma peça de receita própria, cujo conceito pedagógico interessou e rendeu muito papo <3) e aprendi mais sobre a empresa que, hoje, é a minha queridinha aqui na Espanha. Saber que a Kátia é uma empresa familiar me aquece o coração, e me faz sentir ainda mais carinho por ela.

Por ser a última achegar, me vi sozinha pra comprar o bilhete do trem. Nada que eu possa te dizer vai te preparar pro quão complicadas aquelas máquinas são pra quem nunca usou antes. Pedi ajuda em inglês prum moço, fiz chamada em vídeo com a Dani e a Gigi (que me salvaram), paguei os três euros com cartão e corri pra plataforma (ainda sem muita certeza se estava do lado certo). Fortaleça seu psicológico antes de lidar com uma delas. Pode chorar, se precisar, que ninguém aqui vai julgar você. Dá cá um abraço.

Azamiga crocheteira do rolê <3

Dividimos um apartamento entre quatro pessoas: Dani, Gigi, Sarah e eu, e contamos com a Marie, que ficou em um hotel, como uma fantástica guia poliglota que manjava dos paranauê tudo (juro, ela salvou o dia mais de uma vez). Ao comprarmos as entradas para a feira (que custaram 36 euros para os três dias de feira), ganhamos também um passe de trem para os três dias. Porém, optamos por andar a pé todos os dias, tanto na ida quanto na volta. Pegar um café e andar com ele a caminho da feira acabou se tornando uma rotina muito querida.

Dia 2 – Pra que lado fica a feira?

No primeiro dia pegamos café no Starbucks mas aprendemos rapidamente uma lição: além de caro e relativamente parecido com os outros cafés da rede, nada se compara a uma padoca alemã. Então, se eu puder dar uma dica é: pule grandes redes e se joga nos cafés alemães, mesmo que você não entenda palavra do que são aqueles “strudels” que parecem palavrões. Você pode não conseguir pronunciar (nenhuma de nós conseguia), mas aponta com o dedinho, faz mímica, se joga no inglês. O sabor é uma língua universal, e você vai agradecer por essa dica que a Marie nos deu.

O café na mão não era puro glamour: era uma necessidade pra esquentar a mão e acordar o corpo, tendo em mente o dia que teríamos pela frente (foto na frente da Am Dom)

Pra chegar na feira, passamos pela catedral Am Dom, que é colossalmente maior do que qualquer foto pudesse me mostrar antes de eu ver com meus próprios olhos. Eu não estava preparada e tô até agora chocada em Cristo com como aquele prédio monumental consegue ficar em pé, desafiando a gravidade. É lindo, de tirar o fôlego (e dá pra ver que eles estão sempre reformando alguma coisa).

Tinha tanto cadeado, mas tanto cadeado, que de longe parecia glitter, brilhando ao sol

Também passamos pela Hohenzollernbrücke, (saúde) uma ponte CHEIA de cadeados do amor (as pessoas colocam cadeados e jogam a chave no rio pra simbolizar amor eterno). Apesar do amor envolvido, me pareceu um pouco de vandalismo. Hahaha. Essa ponte foi o ponto alto da caminhada, na ida e na volta, todos os dias. Quando voltávamos, chegamos a pegar o pôr-do-sol – fotos e ligações pra família foram inevitáveis.

O sonho dourado (tah-dun-pss) de toda a crocheteira de fio de malha

Andamos muito, vimos Prym, Güttermann (revi os amigos do vôo!) e fomos passando em todos os stands em que víamos coisas lindas. Nessa altura, ainda não tínhamos noção da imensidão da feira, tava tudo começando e a gente com aquela sensação adolescente de ter toda uma vida pela frente. Conhecemos um estande de linhas turcas metalizadas maravilhosas, onde o moço insistia em repetir “I buy books” (a gente buy linha, e das coléquié?) e sentimos que o melhor era trocar cartões e seguirmos caminho. O tempo começava a dar mostras de que seria curto.

Como se fabrica uma Tulip, didaticamente

Visitamos a Tulip e vimos foto de como eles fabricam essas delícias. Tirei essa foto aí de cima porque te amo <3. Passamos depois por vários estandes, com a mochila cheia (não recomendo), e chegamos no estande da Círculo, onde nos deram água, banquinho e fizemos stories com o pessoal por lá. Como eu já mencionei na live em que falei da feira, vimos dois lançamentos de fios (segura a periquita que logo eles te contam quais são) e tocamos na Queen! Pequenos prazeres de uma expatriada, mwahwahua.

Depois também visitamos o estande da Euroroma, e o pessoal de lá também foi super simpático com a gente. Acho que são as únicas duas empresas brasileiras na feira. As meninas nos deram uns mini novelos de Spesso, tão bonitinhos que dá até dó de pensar em usar. Achei genial que eles tiraram os cones do meio, e enrolaram como fio de malha (quando eu estava no Brasil, o cone fazia o novelo virar trambolho na sacola da gente). Economizaram com transporte e com o espaço dos nossos ateliês, e ainda deixaram o produto mais bonito. Sagaz, diria eu.

No estande da Euroroma, conheci essa paixão de pessoa, chamada Marcelo Nunes. Ele tem um carisma tão incrível e é tão atencioso, que confesso que saí desse encontro impactada.

De almoço, evidentemente queríamos provar as coisas locais (do joelho de porco passamos reto, obrigada, de nada) e comemos um bochwurst (uma salsicha meio forte num pão bem gostoso). Eu comi uma carne e uma salada, mas tô registrando aqui que é pra mó de você, que chegar de gaiato no navio, saber do que se trata esse treco. Comer dentro da feira é caro pra cacilda (até doeu), de modo que, no último dia, levamos comida da padaria e comemos melhor. O moço do café estava sério, mas eu estava mais feliz que pinto no lixo e, ao término do terceiro dia, ele já estava abrindo o sorrisão quando a gente chegava no café, e perguntando da família. Gosto assim.

Foto da Wikipedia, que eu mesma comi salada e carne (tô focadinha no que o médico mandou)

Esse post gigantesco é a parte um. Aqui está a parte dois! Vou dividir em três porque, se não for assim, nem eu encontro depois onde é que vai cada foto. Hahahaha Alerta de spoiler: no dia 3, o segundo da feira, eu vi a Molla :3

Deixei nos destaques do meu perfil no instagram os stories que fizemos nestes dias. Aviso: a gente pode ter rido muito no final desses dias.

Beijas, e até o próximo post!

Deixe uma resposta